Forte de Gurupá. Seu coração vai bater forte.



Gurupá nasceu e cresceu a partir do forte.
O forte de Gurupá é de 1623. Foi construído por invasores holandeses, que antes de se instalarem com sucesso no Recife, invadiram o norte do país e tentaram dominar o Rio Amazonas. Gurupá é ponto estratégico. Dominando o canal formado pela Ilha Grande de Gurupá e outras cento e oitenta e tantas ilhas menores que formam, na foz do rio, o arquipélogo Marajoara, a poucos quilômetros de seu último grande afluente da margem direita, o Xingu que vem do planalto, passando por Santarém. Essa região é passagem obrigatória para quem tentar subir o Rio, vindo do atlântico ou do lado oriental da Ilha do Marajó, de Belém, por exemplo.
Os holandeses não conseguiram se fixar na região, logo foram expulsos pelos portugueses que lhes tomaram o Forte e, para evitar novas aventuras internacionalistas, trataram de fazer de Gurupá um dos maiores centros urbanos do século XVII, naquela região, tendo sido inclusive a primeira opção como sede da capitania, opção abandonada posteriormente a favor de Belém do Grão Pará.
Figuras ilustres da nossa história não tardaram a aparecer por lá: registros e placas comemorativas acusam a passagens de Raposo Tavares e do Padre Antônio Vieira.
Rota obrigatória, centro do comércio e de investimentos, Gurupá concentrou grandes fortunas da região até depois do ciclo da borracha da qual também fez parte. Posto avançado do poder, primeiramente da coroa e depois do Império e da República, Gurupá acabou por ser palco de importantes eventos de cunho político, étnico e social.
O Forte de Gurupá foi “restaurado” anos atrás. A palavra restaurado está entre aspas porque na realidade o que foi feito não foi restaurar o que fôra um dia, reconstruído em conformidade à documentos e a processos construtivos de então, mas simplesmente erguido por cima de suas antigas ruínas, estas mesmas certamente e por sua vez, erguida sobre as ruínas mais antigas ainda. Nenhuma prospecção arqueológica, nenhuma pesquisa em profundidade jamais foi feita sobre o Forte, pelo que sabemos, com exceção feita á um artigo de um antropólogo ou sociólogo paraense que publicou certa vez uma matéria sobre o forte no “O Liberal”, mas que não conseguimos localizar ainda. De qualquer maneira, nós mesmo viríamos a tentar levantar alguma documentação através de registros históricos do Recife Antigo, em parceria com a Primeira Sinagoga das Américas, e seu departamento de história. O atual prefeito, o Nogueira, ainda em sua administração anterior, tornou o sítio histórico acessível e utilizável pela comunidade. Menos mal. Mas tem muito ainda a ser feito no resgate da identidade daquele povo heróico, que sem saber e sem que a gente sequer desconfia,
sonha o Brasil que queremos todos e vive este sonho sob o céu mais solene que a massa incalculáveis de nuvens que a floresta Amazônica produz.

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