Aviadores de primeira viagem.



O sol acabara de sair e deitava uma luz oblíqua sobre as poças de água da chuva que lavara a cidade de Belém na madrugada. Era verão no norte. Estação em que chove todo dia. No inverno chove o dia todo. O sol era implacável, mesmo sendo tão cedo. Fôramos dormir tarde e mal dera tempo para tomar um banho e um café reforçado. Eu e Malou já havíamos morado por dois anos em Belém e no dia anterior, além de articularmos alguns preparativos que não tínhamos conseguido acabar em S. Paulo, tínhamos, sem sucesso encontrar remanescentes dos velhos tempos de Grupo Empresarial Belauto. Não encontráramos mais ninguém..., dispersados após a morte de Jair Bernardino, seu Presidente, num desastre de avião de que foi vítima, juntamente com seu irmão, natural herdeiro do império. O céu era de brigadeiro. Bem oportuno para nos enfiar em um “minuano”, o avião que a única empresa de táxi aéreo que atende aquelas bandas disponibilizou para nossa viagem até Gurupá. A viagem teria três escalas. A primeira em Soure, já na Ilha do Marajó. A segunda em Breves e a terceira em Porto de Moz, vizinha a Gurupá. Em Soure recolhemos mais três passageiros. Madeireiros do Paraná e santa Catarina com destino a Porto de Moz. Na segunda escala pegamos o Prefeito de Gurupá, O Nogueira do PT que graças à deus era magrinho o suficiente para encarar a superlotação do nosso aviãozinho. Gurupá é, até agora uma ilha de preservação cercada pela voracidade das madereiras por todos os lados, principalmente pelo lado de Porto de Moz. Nessa viagem tivemos um instrutivo e rápido cursinho de como essa gente trabalha. Como são rápidos em seduzir, se infiltrar, enfiar suas motosserras por entre as idéias da gente. Tudo em nome do progresso...Fizemos em três horas uma viagem que por barco dura quase 24. Ao chegarmos, uma comitiva da Prefeitura nos esperava para nos levar ao Hotel da Fátima, o Akinos...Mas essa é uma outra história...

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